Quanto tempo ficar no Uzbequistão? Com roteiros de 5 e 7 dias.
- Casal Malas Prontas
- há 1 dia
- 6 min de leitura
Passamos 25 dias viajando pelo Uzbequistão para conseguir capturar bem a essência do país e entender aquilo que realmente vale ou não a pena. Então hoje vou montar pra você não só um roteiro ideal mas te alertar de alguns pontos bem importantes.

Quantos dias são necessários para conhecer o Uzbequistão?
É claro que esta pergunta é um pouco relativa, mas toda vez que alguém me pergunta quantos dias reservar para o Uzbequistão, minha resposta sincera surpreende um pouco: "menos do que você imagina", caso queira visitar os pontos clássicos.
Não é porque o país não seja lindo, até porque ele é, e muito, mas depois de rodar Tashkent, Samarcanda, Bukhara e Khiva, percebi um padrão que poucos blogs admitem: as cidades históricas do Uzbequistão, por mais impressionantes que sejam individualmente, começam a se parecer entre si depois de um tempo. Madrassas, mausoléus, bazares, tudo se repete. A arquitetura é magnífica, mas o roteiro "clássico" das quatro cidades pode ficar repetitivo se você esticar demais a estadia.
Por isso, neste post eu vou te dar minha recomendação real, não a recomendação ideal de agência que empurra o máximo de noites possível, junto com variações para quem tem mais tempo ou prefere um ritmo mais tranquilo. Vamos lá.
Antes, um lembre para contratar seu plano de esim virtual para chegar conectado no Uzbequistão ou outros 180 países ao redor do mundo. Para isso, recomendamos o esim da Airalo, que usamos há quase 3 anos em nossas viagens, de forma muito eficiente e prática.
O que fazer em 5 dias no Uzbequistão?
Se você me perguntasse hoje "quanto tempo eu preciso no Uzbequistão?", eu diria que 5 dias são suficientes para sentir a essência do país sem cair na sensação de "já vi isso" no meio da viagem e fazer o basicão. Por outro lado, por conta de deslocamentos, pode ficar puxado. Então este roteiro é ideal para quem tem tempo limitado e pretendo aproveitar para esticar a viagem para países vizinhos. Esse tempo é o equilíbrio entre conhecer o que realmente importa e não gastar dias preciosos de uma viagem à Ásia Central repetindo a mesma fórmula de cidade histórica.
DIA 1 - Tashkent

Vou considerar que você teria um dia inteiro pela capital. Neste caso, vale a pena ver conhecer o Chorsu Bazar e deliciar-se no famoso Plov no Beshkoson (é realmente o melhor da Ásia Central, sem palavras). Outro ponto que considero imperdível é o Centro da Civilização Islâmica, lindíssimo. você pode comprar ingressos para entrar na hora. Custa por volta de 120 reais por pessoa. Caso queira comprar antecipado para evitar as longas filas, este é o link.
Conseguindo fazer isso você já terá aproveitado a essência da cidade. Se sobrar tempo, visite também o Magic City, uma área pública e bem familiar. Ótima para um passeio à tarde ou final de dia.
DIA 2 e 3 - Samarcanda
Pegue o trem de alta velocidade Afrosiyob (se não souber como fazer isso, leia este post) pela manhã, são cerca de 2h30 de viagem, e dedique os dois dias seguintes à cidade mais fotografada do país. Samarcanda já foi uma das cidades mais ricas do mundo e teve extrema importância durante o período da Rota da Seda. Os principais atrativos da cidade são a Praça Registan, o complexo necrópole de Shah-i-Zinda e o Mausoléu de Gur-e-Amir, todos são imperdíveis. Retorne a Praça Registan às 21h, há um show de projeções nas construções que é imperdível. Vou detalhar tudo isso com calma em um post dedicado só a Samarcanda. Caso queira ver como foi nosso passeio por lá, fizemos um vídeo dedicado a esta cidade.
Dia 4 e 5 - Bukhara
Faça outro trecho de trem (entre 1h40 e 2h30, dependendo do trem) para cehgar a Bukhara, com seu centro histórico mais compacto e, para muita gente (inclusive para mim), mais charmoso do que o de Samarcanda. Dois dias dão tempo de ver a Cidadela Ark, o Mausoléu dos Samânidas e se perder nas ruelas do bazar coberto sem pressa.
Por que eu cortei Khiva nesse roteiro de 5 dias? Khiva é genuinamente bonita, mas fica isolada geograficamente, o deslocamento até lá consome quase um dia inteiro de viagem, ida e volta, o que não compensa dentro de uma janela curta. Então a razão é exclusivamente logística. Prefiro recomendar Khiva só para quem está disposto a esticar um pouco mais o roteiro (veja abaixo).


O que fazer em 7 dias no Uzbequistão?
Vamos ajustar um pouco o roteiro acima.
Dia 1: Tashkent
Dias 2-3: Samarcanda
Dia 4: Bukhara → Khiva (viagem mais longa, geralmente trem noturno ou estrada)
Dias 5-6: Khiva
Dia 7: volta a Tashkent (ou voo direto de Urgench, perto de Khiva)
Dias 5-6 Khiva (a mais cinematrográfica das três)

Essa configuração também dá um respiro maior em cada cidade, sem a sensação de estar correndo contra o relógio entre estações de trem. Das três cidades históricas do roteiro clássico, é a que mais parece um cenário de filme: as ruas de terra batida, os muros de adobe, os minaretes de azulejo turquesa, tudo concentrado dentro da Itchan Kala, a cidade murada de 26 hectares que é o coração de Khiva e também o primeiro patrimônio mundial da UNESCO no Uzbequistão.
Boa notícia para quem planeja a viagem agora: um novo serviço de trem bala está conectando Khiva diretamente a Bukhara e Samarcanda pela primeira vez, reduzindo drasticamente o que antes era uma travessia de mais de 15 horas desde Tashkent. O aeroporto de Urgench, a 23 km de Khiva, também está passando por uma grande reforma, chegar aqui ficou consideravelmente mais fácil do que era até pouco tempo atrás.
Dia 5 — Dentro da Itchan Kala
O ingresso unificado (em torno de 250.000 UZS em 2026) dá acesso a 16-18 atrações dentro das muralhas e é válido por 48 horas, compre logo na entrada pela porta oeste e use os dois dias sem pressa.
Comece cedo, antes do calor do meio-dia, e vá direto ao Kalta Minor, o minarete inacabado coberto de azulejos turquesa que se vê já de fora dos muros. Foi projetado para ser o maior minarete da Ásia Central — a morte do khan que o encomendou interrompeu a obra quando o minarete tinha apenas um terço da altura planejada. O resultado é uma estrutura baixa, larga e estranhamente majestosa que não se parece com nenhum outro minarete do país.
Da mesma praça, vale visitar a Mesquita Juma, completamente diferente de qualquer outra que você vai ver no Uzbequistão. O teto plano é sustentado por 218 colunas de madeira, cada uma com entalhes diferentes, e a abertura no centro do teto deixa entrar uma coluna de luz que muda ao longo do dia.
Reserve o fim da tarde para subir à torre de vigia da Citadela Kunya-Ark, é o melhor ponto de observação da cidade, e o pôr do sol daqui sobre os telhados da Itchan Kala é uma das imagens mais bonitas que o Uzbequistão oferece.
Dia 6 — Altura e quietude
Se você quiser subir ainda mais alto, o Minarete do Complexo Islam Khodja (ingresso separado, em torno de 100.000 UZS) vale os 175 degraus: é o mais alto da cidade, com 57 metros, e a vista de cima é uma das poucas oportunidades de ver a Itchan Kala inteira de uma só vez, com as muralhas ao redor e o deserto no horizonte.
Depois, desacelere. Khiva é a cidade do roteiro que mais recompensa quem para de "colecionar atrações" e simplesmente caminha sem destino — as ruelas laterais fora do circuito principal têm artesãos trabalhando em ateliês abertos, crianças jogando nas praças internas, e uma escala humana que Samarcanda, com seus complexos monumentais, não consegue oferecer da mesma forma.
Para comer, saia das muralhas: os restaurantes dentro da Itchan Kala cobram preços de turista. O Khiva Moon, a 5 minutos a pé da porta oeste, tem pátio agradável e comida boa a preço local. E se você encontrar Shivit Oshi no cardápio, um macarrão verde tingido de endro, prato típico de Khiva que não existe em mais nenhuma cidade do Uzbequistão.
O que você precisa saber para planejar sua viagem ao Uzbequistão
Essa é a parte que pouca gente fala. Eu não acho que valha a pena fazer uma viagem até a Ásia Central só para visitar o Uzbequistão. A região é rica demais, e diferente demais para você restringir sua viagem a um único país.
Fiz uma road trip de 6 dias pelo Quirguistão, passando por Bokonbaevo, Jyrgalan, Altyn Arashan, Barskoon, Mars Canyon, Aksay Canyon, Kol Ukok e é um universo completamente diferente do Uzbequistão: paisagens de montanha, lagos, vida nômade, nada da arquitetura islâmica monumental que domina o roteiro uzbeque. É justamente esse contraste que faz a Ásia Central valer uma viagem mais longa (além do fato de ser bem longe do Brasil).
Se seu tempo permitir, vale considerar combinar uma viagem de 15 dias:
Uzbequistão + Quirguistão: cultura urbana e arquitetura de um lado, montanhas e paisagens nômades do outro, para mim, a combinação mais equilibrada
Uzbequistão + Cazaquistão: se você quer incluir Almaty e uma pegada mais cosmopolita à mistura
Uzbequistão + Tajiquistão: para quem busca trilhas de alta montanha e quer fugir ainda mais do roteiro batido
Precisa de ajuda para programar seu roteiro? Contrate nossa assessoria de viagem na Intu Trips.
OBS: é provável que você encontre links de afiliados nesse post. Se você utilizou os nossos links para fazer suas reservas, muito obrigada! É assim que mantemos o conteúdo do Casal Malas Prontas sempre ativo e atualizado e você não paga nada a mais por isso.





Comentários